Artigo: Descarrilamento - Marcos Martins

Artigo: Descarrilamento

Crédito: Assessoria/MM

Após anos de luta e cobranças junto ao governo do estado por melhorias nos sistemas de transporte sobre trilhos, manifestações junto aos funcionários por condições de trabalho dignas e pedidos de uma CPI, parece que o trem saiu mesmo dos trilhos.
No ano de 2013, protocolei na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo um pedido solicitando informações ao secretário Estadual dos Transportes sobre as obras da Linha 4, Amarela do metrô. A previsão de entrega estava prevista para 2003, segundo o Plano Plurianual 2000-2003, ou seja, 10 anos antes, mas até aquele momento, pouco havia avançado.
O documento foi respondido pelo senhor Luiz Roberto dos Santos, chefe de gabinete da referida secretaria, e assinalava claramente as novas datas de conclusão das obras: estação Higienópolis/Mackenzie, Fradique Coutinho e Oscar Freire – 4º trimestre de 2014; São Paulo/Morumbi – 2ºsemestre de 2015 e Vila Sônia –2ºsemestre de 2016. Das referidas estações, só a da Fradique Coutinho está funcionando. O mesmo documento apontava que a Linha 4 chegaria a Taboão da Serra em 2018.
Há poucos dias, o governador veio a público anunciar que deve romper o contrato com o consórcio responsável pelas obras e, segundo Alckmin, também pelos atrasos. Alguns canteiros só devem voltar a funcionar em 2016 e as estações, com sorte, estarão prontas em 2018. Taboão da Serra, por sua vez, ninguém sabe.
Soma-se a isso tudo os escândalos do trensalão, onde executivos da Siemens denunciaram o envolvimento de deputados, que foram secretários do governo paulista, em um esquema de pagamento de propinas em obras do metrô. Os inquéritos, no entanto, foram arquivados pela Primeira Turma do STF, embora o prejuízo causado aos cofres públicos tenha sido na casa dos bilhões.
Segundo documentos da Polícia Federal, o esquema funcionava desde o governo Mario Covas, passando pelos governos Serra e Alckmin. O documento arquivado indiciava 33 pessoas investigadas por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de cartel e crime licitatório. Entre os indiciados estavam servidores públicos, doleiros, empresários e executivos de multinacionais do setor.
Mesmo com obras atrasadas, paradas e ainda sem previsão para recomeçar, suspeitas do envolvimento de funcionários públicos, doleiros, empresários, executivos e políticos de alto calibre em esquema de corrupção que acredita-se operar a pelo menos 20 anos, além do prejuízo bilionário aos cofres públicos e danos aos cidadãos/usuários, parece que ninguém se lembra quem é o maquinista desse trem.
Marcos Martins, deputado estadual (PT)

Após anos de luta e cobranças junto ao governo do estado por melhorias nos sistemas de transporte sobre trilhos, manifestações junto aos funcionários por condições de trabalho dignas e pedidos de uma CPI, parece que o trem saiu mesmo dos trilhos.

No ano de 2013, protocolei na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo um pedido solicitando informações ao secretário Estadual dos Transportes sobre as obras da Linha 4, Amarela do metrô. A previsão de entrega estava prevista para 2003, segundo o Plano Plurianual 2000-2003, ou seja, 10 anos antes, mas até aquele momento, pouco havia avançado.

O documento foi respondido pelo senhor Luiz Roberto dos Santos, chefe de gabinete da referida secretaria, e assinalava claramente as novas datas de conclusão das obras: estação Higienópolis/Mackenzie, Fradique Coutinho e Oscar Freire – 4º trimestre de 2014; São Paulo/Morumbi – 2ºsemestre de 2015 e Vila Sônia –2ºsemestre de 2016. Das referidas estações, só a da Fradique Coutinho está funcionando. O mesmo documento apontava que a Linha 4 chegaria a Taboão da Serra em 2018.

Há poucos dias, o governador veio a público anunciar que deve romper o contrato com o consórcio responsável pelas obras e, segundo Alckmin, também pelos atrasos. Alguns canteiros só devem voltar a funcionar em 2016 e as estações, com sorte, estarão prontas em 2018. Taboão da Serra, por sua vez, ninguém sabe.

Soma-se a isso tudo os escândalos do trensalão, onde executivos da Siemens denunciaram o envolvimento de deputados, que foram secretários do governo paulista, em um esquema de pagamento de propinas em obras do metrô. Os inquéritos, no entanto, foram arquivados pela Primeira Turma do STF, embora o prejuízo causado aos cofres públicos tenha sido na casa dos bilhões.

Segundo documentos da Polícia Federal, o esquema funcionava desde o governo Mario Covas, passando pelos governos Serra e Alckmin. O documento arquivado indiciava 33 pessoas investigadas por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de cartel e crime licitatório. Entre os indiciados estavam servidores públicos, doleiros, empresários e executivos de multinacionais do setor.

Mesmo com obras atrasadas, paradas e ainda sem previsão para recomeçar, suspeitas do envolvimento de funcionários públicos, doleiros, empresários, executivos e políticos de alto calibre em esquema de corrupção que acredita-se operar a pelo menos 20 anos, além do prejuízo bilionário aos cofres públicos e danos aos cidadãos/usuários, parece que ninguém se lembra quem é o maquinista desse trem.

Marcos Martins, deputado estadual (PT)