Artigo: Os jogos olímpicos e o suor da nação brasileira - Marcos Martins

Artigo: Os jogos olímpicos e o suor da nação brasileira

Crédito: Foto AFP / Reprodução site BBC

Os jogos olímpicos e o suor da nação brasileira
A Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos 2016, realizada na última sexta-feira, 5/8, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, foi uma das mais belas da história dos jogos, mas ficará marcada por motivos além da beleza. O evento trouxe como tema as mensagens imprescindíveis de paz e respeito ao meio ambiente, engrandecidas pela alegria e diversidade do nosso povo. A organização do evento inovou com uma pira em formato de sol, mas os pontos que merecem maior destaque, foram sem dúvida, a presença de uma delegação de refugiados entre os atletas e as manifestações democráticas contra o presidente da República interino, Michel Temer. De quebra, para àqueles que acreditavam que o Brasil não poderia realizar um evento de tal envergadura, provamos o contrário.
As brasileiras e brasileiros estão mostrando ao mundo mais uma vez nossa capacidade de superação. Antes mesmo do encerramento dos jogos, provamos que apesar dos pesares jamais deixaremos de acreditar que podemos construir um país melhor para todos. Pouco menos de uma semana após o início da maior competição desportiva do planeta, as histórias de superação de atletas de diversas modalidades conquistaram o mundo. As jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol, por exemplo, emocionaram principalmente àqueles que sabem das dificuldades que as mulheres enfrentam no Brasil, especialmente nesta modalidade consagrada pelos pés dos nossos atletas homens.
A conquista da medalha de ouro de Rafaela Silva no judô, a primeira do país nestes jogos, veio providencialmente da garra de uma mulher negra nascida e criada na Cidade de Deus. Tal fato mostra ao mundo a face das brasileiras das quais mais devemos nos orgulhar – as mulheres da periferia que lutam diariamente contra esteriótipos e preconceitos, muitas vezes sem as mínimas condições de vida, que dirá para treinar em nível olímpico. Traduzidas na pessoa da judoca campeã, estas mulheres merecem todo o respeito que pudermos manifestar. O esporte não é sinônimo apenas de saúde, ele faz parte da cultura de um povo, motivo pelo qual também não podemos deixar de refletir sobre as questões sociais e políticas que estão colocadas em nosso tempo. Nossos atletas, mulheres e homens, não são os responsáveis pelo que está acontecendo no universo político brasileiro, o que não nos impede de estar conscientes da situação que vivemos.
Os Jogos Olímpicos não podem servir para ocultar manobras políticas obscuras ou promover regimes autoritários, como aconteceu após o tricampeonato brasileiro de futebol, em 1970, ou na polêmica vitória argentina na Copa do Mundo de 1978. Em apoio à nossa frágil democracia, o que vemos hoje são organizações e movimentos sociais, como as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, denunciando legitimamente seu descontentamento após o afastamento temporário da presidenta eleita Dilma Rousseff e o estabelecimento do governo interino do vice-presidente Michel Temer. Mesmo sendo reprimidas com violência, diversas mobilizações em defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores têm tomado as ruas de várias cidades do país, com destaque para a capital do Rio de Janeiro, sede dos jogos. Na abertura da competição esportiva, o presidente interino tentou, mas não conseguiu evitar as vaias, e a indignação popular brasileira ganhou mais uma vez audiência internacional.
Após seguidas incursões policiais militares de calar ou reprimir àqueles que manifestaram descontentamento nos ginásios e estádios do jogos, a Justiça Federal emitiu liminar determinando que nem o Comitê Olímpico, o governo do Rio de Janeiro, ou governo federal podem reprimir a liberdade de expressão do povo brasileiro. Por este caminho, celebramos e celebraremos os Jogos Olímpicos, sem deixar de falar dos problemas do nosso país, das ameaças à nossa jovem democracia, das manipulações midiáticas e do legado olímpico que nos tem sido usurpado.
Marcos Martins, deputado estadual
A Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos 2016, realizada na última sexta-feira, 5/8, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, foi uma das mais belas da história dos jogos, mas ficará marcada por motivos além da beleza. O evento trouxe como tema as mensagens imprescindíveis de paz e respeito ao meio ambiente, engrandecidas pela alegria e diversidade do nosso povo. A organização do evento inovou com uma pira em formato de sol, mas os pontos que merecem maior destaque, foram sem dúvida, a presença de uma delegação de refugiados entre os atletas e as manifestações democráticas contra o presidente da República interino, Michel Temer. De quebra, para àqueles que acreditavam que o Brasil não poderia realizar um evento de tal envergadura, provamos o contrário.
As brasileiras e brasileiros estão mostrando ao mundo mais uma vez nossa capacidade de superação. Antes mesmo do encerramento dos jogos, provamos que apesar dos pesares jamais deixaremos de acreditar que podemos construir um país melhor para todos. Pouco menos de uma semana após o início da maior competição desportiva do planeta, as histórias de superação de atletas de diversas modalidades conquistaram o mundo. As jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol, por exemplo, emocionaram principalmente àqueles que sabem das dificuldades que as mulheres enfrentam no Brasil, especialmente nesta modalidade consagrada pelos pés dos nossos atletas homens.
A conquista da medalha de ouro de Rafaela Silva no judô, a primeira do país nestes jogos, veio providencialmente da garra de uma mulher negra nascida e criada na Cidade de Deus. Tal fato mostra ao mundo a face das brasileiras das quais mais devemos nos orgulhar – as mulheres da periferia que lutam diariamente contra esteriótipos e preconceitos, muitas vezes sem as mínimas condições de vida, que dirá para treinar em nível olímpico. Traduzidas na pessoa da judoca campeã, estas mulheres merecem todo o respeito que pudermos manifestar. O esporte não é sinônimo apenas de saúde, ele faz parte da cultura de um povo, motivo pelo qual também não podemos deixar de refletir sobre as questões sociais e políticas que estão colocadas em nosso tempo. Nossos atletas, mulheres e homens, não são os responsáveis pelo que está acontecendo no universo político brasileiro, o que não nos impede de estar conscientes da situação que vivemos.
Os Jogos Olímpicos não podem servir para ocultar manobras políticas obscuras ou promover regimes autoritários, como aconteceu após o tricampeonato brasileiro de futebol, em 1970, ou na polêmica vitória argentina na Copa do Mundo de 1978. Em apoio à nossa frágil democracia, o que vemos hoje são organizações e movimentos sociais, como as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, denunciando legitimamente seu descontentamento após o afastamento temporário da presidenta eleita Dilma Rousseff e o estabelecimento do governo interino do vice-presidente Michel Temer. Mesmo sendo reprimidas com violência, diversas mobilizações em defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores têm tomado as ruas de várias cidades do país, com destaque para a capital do Rio de Janeiro, sede dos jogos. Na abertura da competição esportiva, o presidente interino tentou, mas não conseguiu evitar as vaias, e a indignação popular brasileira ganhou mais uma vez audiência internacional.
Após seguidas incursões policiais militares de calar ou reprimir àqueles que manifestaram descontentamento nos ginásios e estádios do jogos, a Justiça Federal emitiu liminar determinando que nem o Comitê Olímpico, o governo do Rio de Janeiro, ou governo federal podem reprimir a liberdade de expressão do povo brasileiro. Por este caminho, celebramos e celebraremos os Jogos Olímpicos, sem deixar de falar dos problemas do nosso país, das ameaças à nossa jovem democracia, das manipulações midiáticas e do legado olímpico que nos tem sido usurpado.
Marcos Martins, deputado estadual