O que está por trás dos reajustes de tarifa do transporte público? - Marcos Martins

O que está por trás dos reajustes de tarifa do transporte público?

Crédito: Jorge Araújo – Folhapress

Não há nenhuma surpresa nos reajustes das tarifas dos sistemas coletivos de transporte, pois na capital paulista a cada início de mandato a medida se repete. Entram e saem prefeitos e para contrariedade dos cidadãos, o aumento do bilhete acontece nos terminais de ônibus, estações de trem e do metrô.
Segundo dados da SPTrans, a receita tarifária atualmente está em R$ 5,3 bilhões anuais, mas para manter o sistema a prefeitura ainda tem que investir, na forma de subsídios, cerca de R$ 2 bilhões. Os reajustes estão previstos em contrato e não fazê-los demandaria além de um repasse maior da prefeitura, alterações nos contratos de permissão e concessão, o que deve ser amplamente debatido com a sociedade. Até que isso aconteça, o discurso de “congelamento de tarifas” não passa de atitude eleitoreira e demagógica.
Os aumentos são sempre recebidos com indignação pela população – pois, afetam o dia a dia de milhões de cidadãos e carregam extrema impopularidade – basta lembrar das primeiras manifestações do Movimento Passe Livre, nos idos de 2013. Não à toa, enquanto candidato, João Dória Jr. fez promessas de que congelaria as tarifas, custando o que custasse. Na impossibilidade de materializar seu discurso, o atual prefeito anunciou, ao lado do governador, que não mexeria na tarifa base, mas nos valores da integração e dos bilhetes mensais.
Na prática, o usuário passou a pagar mais caro, em especial àquele que combina os sistemas sobre pneus e trilhos (aumento de 14,6%), ou seja, o morador da periferia, ou aquele que faz uso do bilhete mensal (aumento de 35,7%). Em 2012, o então candidato líder nas pesquisas de intenção de votos para prefeito, Celso Russomano, despencou nas avaliações após afirmar que cobraria mais caro dos usuários que fizessem deslocamentos maiores – no entanto, é exatamente o que está fazendo João Dória em seus primeiros dias de governo.
Além da parceria com o governador Geraldo Alckmin, Dória tem a seu favor a cobertura favorável de parte da grande imprensa, que optou por dar atenção ao traje de gari utilizado semanalmente pelo prefeito e ignorar as reais consequências para os usuários do sistema e a população em geral.
O reajuste, no entanto foi suspenso pela justiça, na sexta-feira (6), acatando ação popular movida pela bancada de Deputados Estaduais do Partido dos Trabalhadores. Ignorando a decisão judicial, o governador entrou com recurso alegando desconhecer a ação e não retomou os valores anteriores. O juiz, por sua vez, manteve a decisão e continua considerando o aumento ilegal.

Não há nenhuma surpresa nos reajustes das tarifas dos sistemas coletivos de transporte, pois na capital paulista a cada início de mandato a medida se repete. Entram e saem prefeitos e para contrariedade dos cidadãos, o aumento do bilhete acontece nos terminais de ônibus, estações de trem e do metrô.

Segundo dados da SPTrans, a receita tarifária atualmente está em R$ 5,3 bilhões anuais, mas para manter o sistema a prefeitura ainda tem que investir, na forma de subsídios, cerca de R$ 2 bilhões. Os reajustes estão previstos em contrato e não fazê-los demandaria além de um repasse maior da prefeitura, alterações nos contratos de permissão e concessão, o que deve ser amplamente debatido com a sociedade. Até que isso aconteça, o discurso de “congelamento de tarifas” não passa de atitude eleitoreira e demagógica.

Os aumentos são sempre recebidos com indignação pela população – pois, afetam o dia a dia de milhões de cidadãos e carregam extrema impopularidade – basta lembrar das primeiras manifestações do Movimento Passe Livre, nos idos de 2013. Não à toa, enquanto candidato, João Dória Jr. fez promessas de que congelaria as tarifas, custando o que custasse. Na impossibilidade de materializar seu discurso, o atual prefeito anunciou, ao lado do governador, que não mexeria na tarifa base, mas nos valores da integração e dos bilhetes mensais.

Na prática, o usuário passou a pagar mais caro, em especial àquele que combina os sistemas sobre pneus e trilhos (aumento de 14,6%), ou seja, o morador da periferia, ou aquele que faz uso do bilhete mensal (aumento de 35,7%). Em 2012, o então candidato líder nas pesquisas de intenção de votos para prefeito, Celso Russomano, despencou nas avaliações após afirmar que cobraria mais caro dos usuários que fizessem deslocamentos maiores – no entanto, é exatamente o que está fazendo João Dória em seus primeiros dias de governo.

Além da parceria com o governador Geraldo Alckmin, Dória tem a seu favor a cobertura favorável de parte da grande imprensa, que optou por dar atenção ao traje de gari utilizado semanalmente pelo prefeito e ignorar as reais consequências para os usuários do sistema e a população em geral.

O reajuste, no entanto foi suspenso pela justiça, na sexta-feira (6), acatando ação popular movida pela bancada de Deputados Estaduais do Partido dos Trabalhadores. Ignorando a decisão judicial, o governador entrou com recurso alegando desconhecer a ação e não retomou os valores anteriores. O juiz, por sua vez, manteve a decisão e continua considerando o aumento ilegal.